O meu verão no inverno
Sou como todas as pessoas: vejo o mundo da maneira que desejava que as coisas acontecessem, e não da maneira que as coisas realmente acontecem.
Quem sempre vive no calor e plenitude do coração , por assim dizer, na atmosfera de verão da alma, não pode imaginar o tremor de arrebatamento que assalta as naturezas mais invernais, quando excepcionalmente são tocadas pelos raios de amor e ar morno de um ensolarado dia de fevereiro.
— Friedrich Nietzsche 

Procura-se um amigo. Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor… Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Carlos Drummond de Andrade. 

Quando um pássaro está vivo, ele come as formigas, mas quando o pássaro morre, são as formigas que o comem. Tempo e circunstâncias podem mudar a qualquer minuto. Por isso, não desvalorize ou machuque ninguém e nenhuma coisa à sua volta. Você pode ter poder hoje, mas, lembre-se: O tempo é muito mais poderoso que qualquer um de nós! Saiba que uma árvore faz um milhão de fósforos, mas basta um fósforo para queimar milhões de árvores. Portanto, seja bom, faça o bem.
Autor desconhecido.  

Meus caros, volta-se porque se tem saudade
Porque se foi feliz intimamente
Volta-se porque se tocou num inocente
E porque se encontrou tranqüilidade

A despeito da vida que acorrente
Volta-se, volta-se para a sinceridade
Volta-se sempre, tarde ou de repente
Na alegria ou na infelicidade.

E nada como esse apelo da lembrança
Para se transfigurar numa esperança
Essa desolação que uma alma leve

Assim é que, partindo, eu vou levando
Toda a desolação de um até-quando
Num ardente desejo de até-breve.

— Meus caros, volta-se porque se tem saudade  - Vinicius de Moraes 

E hoje eu tirei o dia para arrumar minha bagunça, não a bagunça do quarto, a bagunça de dentro. Uma que só eu posso ver. Tem muita coisa velha aqui, tem muita lembrança, amontoadas uma em cima da outra, desdobradas, sujas, como um guarda-roupas de recordações. Aqui dentro ta pior do que pia em almoço de domingo, e eu que deixei assim, anos e anos guardando coisas que já eram pra serem jogadas fora a muito tempo, coisas que me machucam também, então não posso reclamar quando as lágrimas começam a descer do nada, é culpa minha por guardar rancor e magoas dentro de mim. Hoje me perdi aqui de novo, tentando limpar a poeira das prateleiras, tentando arrumar lugar pra guardar mais lembranças. Aqui dentro estão todos os motivos para minhas emoções diárias, choros, sorrisos, sejam de felicidade ou cinismo. Aqui dentro guardo as minhas piores e melhores lembranças. E todo mundo diz pra jogar fora o que não nos faz bem, mas não adianta, isso aqui é tipo nosso quarto. É muito bagunçado, mas se tirar alguma coisa do lugar, a gente se perde. As vezes, quando tira o dia para dar a geral dentro de ti, você percebe todas as coisas que um dia magoaram você, que fizeram você chorar ou querer morrer. E no dia, a gente culpou quem nos magoou, quem nos fez chorar, mas a culpa é nossa. Por deixar entrar e bagunçar quem não esta disposto a arrumar, deixar entrar e sujar tudo como se a casa fosse deles e depois deixar que ela realmente se torne, só que certo dia a gente olha e vê que a pessoa foi embora, deixando apenas roupas bagunçadas e o perfume dela no ar, a gente prefere não arrumar, ir deixando ali e vai ficando, ficando, até se tornarem lembranças. Afinal, você não pode plantar dor e tentar colher amor. Do mesmo jeito que não pode reclamar quando a pessoa não seguiu as regras, se no momento do amor, você deixou de cita-las. Então antes de deixar alguém entrar dentro da sua bagunça, antes de deixar morarem nas suas prateleiras, faça um placa e pendure na porta “Se for vim pra ir embora não entre, se for vim pra ficar, bem-vindo! Se entrar e não gostar, que volte! Se for só pra usar o espaço, tudo bem, mais ao sair, ao menos limpe a bagunça!
Todoabismo   

É como uma corda bamba: ora pra lá, ora pra cá. Busca se equilibrar, todavia não consegue. Despenca, mas volta a tentar. Isso é o que enfrentamos em cada segundo de nossa existência. Não dá pra ter estabilidade na vida.
— Craquelar. 

E até meu yang é marrom, roxo, manchado de vinho e café das noites em que tentei fugir ou mesmo mergulhar na realidade
M. Williams 

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